Possivel sensibilidade ao glúten em cavalos

Assim como os humanos, os cavalos parecem que também estão tendo desordens metabólicas com o excesso de gluten.

Há cerca de 30 -40 anos, o trigo era uma planta alta, com pequenos cachos do grão e uma concentração de Gluten (proteína do trigo) que a natureza, via seleção natural, havia lhe concedido.

Porém , descobriu-se que quanto maior a concentração do gluten no trigo (e outros grãos), maior era a resposta na panificação. Quanto mais gluten, mais a massa do panificador crescia. É a maravilha do panificador. Assim, a evolução genética fez com que o pé de trigo fosse ficando baixo, para evitar o acamamento da planta ante o vento e sua concentração de gluten aumentasse espantosamente. Hoje o trigo tem de 400 a 600 vezes mais gluten que no passado.

Os organismos que consomem o gluten não evoluíram geneticamente tão rápido a ponto de suportarem digerir de maneira adequada toda esta quantidade.

Os estudos atuais dão conta de que uma imensa gama de doenças auto-imunes , entre elas a doença celíaca, a grande maioria das artrites, especula-se que a doença de Alzhaimer e outras doenças contemporâneas, têm a ver com reações imunológicas cruzadas, induzidas pelo consumo de gluten. Há pesquisadores que dizem que em algum tempo, todos nós vamos apresentar pelo menos “algum nível de alergia ao gluten”.

Os pesquisadores Departamento de Ciência Eqüina da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Utrecht, localizada na Holanda, impuseram a um cavalo com anticorpos induzidos provavelmente pela intolerância ao gluten, uma dieta sem gluten (gluten free). Depois de seis meses seus níveis destes anticorpos diminuíram muito e a aparência inflamatória do seu intestino delgado tinha se normalizado. Seu desempenho esportivo teve evolução surpreendente.

Embora a causa exata da doença inflamatória do intestino delgado (ISBD) em cavalos permanece desconhecida, um grupo de pesquisadores holandeses suspeitou que a intolerância ao glúten poderia ser um fator de grande contribuição à doença. Eles testaram esta hipótese recentemente, e descobriram que a sensibilidade ao glúten em cavalos é uma possibilidade.

O glúten é uma proteína encontrada em alimentos transformados à base de trigo e outros grãos como aveia, cevada, centeio. A doença inflamatória do intestino delgado (ISBD) é uma condição que resulta em absorção inadequada de nutrientes e má digestão dos alimentos. Sinais clínicos mais comuns incluem perda de condição corporal, perda de peso ou falta de ganho de peso; diminuição do apetite, aumento da motilidade gastrointestinal, uma história de cólica recorrente leve, e, ocasionalmente, diarréia, dizem os pesquisadores.

Em minha humilde observação vejo que também acontece o excesso de absorção de nutrientes, ganho de peso incompatível com a ingestão calórica, irritabilidade, esteatose (acumulo de gordura no fígado), claudicações inexplicáveis aos exames de imagem, problemas de pele e de comportamento.

"Concentrados designado para uso em cavalos de esporte ... estão contendo uma maior quantidade de trigo e aveia (ricos em glúten) ... como aprendemos com representantes da indústria de alimentação", observou Han Van der Kolk, PhD, DVM, membro do corpo docente no Departamento de Ciência Eqüina da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade de Utrecht, localizada na Holanda.

Em seu estudo, os pesquisadores compararam exames de sangue de três grupos de cavalos:

  1. Doze cavalos de dressage da Equine Clinic da Universidade, os quais apresentaram sinais clínicos de ISBD (doença Inflamatória do Intestino Delgado).
  2. Vinte e dois cavalos de controle de propriedade da universidade, alimentados com uma dieta rica em glúten;
  3. Vinte e cinco póneis Shetland que vivem em uma reserva natural em Zeeland, na Holanda, que fizeram uma dieta de baixa concentração de gluten (ou sem glúten) com forrageiras naturais.

Todos os animais foram testados para a presença de imunoglobulina A (IgA), um dos mais prevalentes anticorpos produzidos pelo organismo, para afastar uma deficiência de anticorpos. Também foram pesquisados no sangue anticorpos contra transglutaminase 2 (GT2), a gliadina, e endomísio (EMA). A equipe refere que todos estes anticorpos avaliados "são conhecidos por serem importantes no diagnóstico de doença celíaca humano", que é provocada por uma reação a uma proteína específica do glúten e necessita de uma dieta isenta de glúten.

As principais conclusões do estudo incluem:

  • Nenhum dos cavalos apresentaram deficiência de IgA; (isto é, não eram imunodeprimidos;
  • Cavalos com Doença Inflamatória do Intestino Delgado-ISBD (provável intolerância ao gluten), tinham aumento significativamente as taxas de anticorpos IgA e TG2 em comparação aos poneis alimentados com dieta “gluten free”. Mas esta diferença não se observava nos alimentados com a dieta rica em gluten do grupo controle;
  • Anticorpos contra EMA tendeu a ser maior em cavalos ISBD do que nos animais controles alimentados com dieta rica em gluten;

Os pesquisadores colocaram um cavalo ISBD com alta concentração de anticorpos associados a intolerância ao glúten em uma dieta livre de glúten. Depois de seis meses seus níveis de anticorpos diminuíram e sua aparência do intestino delgado e do desempenho tinha normalizado.

"Nossos resultados sugerem a presença de enteropatia (doença inflamatória intestinal) sensível ao glúten (GSE) em pelo menos alguns cavalos que sofrem de ISBD", a equipe concluiu. Os pesquisadores acrescentaram que mais pesquisas sobre equinos GSE está garantido.

Particularmente, tenho alguma experiência com a intolerância ao gluten em equinos.A meu ver, isto é uma realidade de dimensões muito maiores do que o estudo sugere.

O Homem adotou a ração como complemento alimentar para o cavalo (e outros animais), mas não imaginava suas consequências. Estes são riscos que se corre quando queremos nos adiantar aos ditames da natureza. Desde o uso de concentrados para animais (invenção do homem) até seleção genética do trigo e aveia com altos teores de gluten.

O estudo, "os anticorpos dependentes de glúten em cavalos com doença inflamatória do intestino delgado (ISBD)," foi publicado no Veterinary Quarterly em abril de 2012 O resumo está disponível online.

Referencias:
- II Conferencia Internacional sobre Homeopatia na Agricultura - Maringa -SP-Setembro de 2013.
- Artigo do site:The Horse.com
- www.celiaccenter.org
- www.celiac.com
- www.mercola.com

Roberto Mangieri Junior Med. Veterinário MSc. PhD.
Homeopatia e Antroposofia