Tratamento homeopático das laminites (aguamento)

Roberto Mangiéri Junior
Médico Veterinário, MSc., PhD.
cel.: (11) 9723.5903

Laminite é, na realidade, uma doença perivascular (Stashak 1994), é uma inflamação das lâminas do casco, porém com uma seqüência complicada de reações vasculares periféricas que se manifesta por uma diminuição na perfusão capilar no interior da pata, quantidades significativas de desvios arteriovenosos, necrose isquêmica das lâminas e dor.
Pode ser traduzida como uma manifestação local de um distúrbio metabólico mais sistêmico que afeta os sistemas cardiovascular, renal e endócrino, além da coagulação sangüínea e do equilíbrio ácido-básico. Acredita-se que os processos vasoativos alterados e a coagulopatia (problemas com a coagulação do sangue) são responsáveis pela perfusão capilar diminuída e pela necrose isquêmica que ocorre nas lâminas do casco.
Autores descrevem fases de desenvolvimento da doença, a saber - Fase de desenvolvimento: se inicia quando o cavalo entra em contato com os fatores que desencadeiam os mecanismos patofisiológicos causadores da laminite. Esta fase termina ao primeiro sinal de claudicação. - Fase aguda inicia se com começo da claudicação e se estende por períodos variáveis, dependendo de, se e quando ocorre a rotação da falange distal. - Fase crônica começa quando a claudicação é contínua por mais de 48 horas ou quando há evidência da rotação da falange distal. Pode durar por semanas, ou persistir pelo resto da vida do animal. Caracterizada por claudicação intermitente ou contínua e por padrões divergentes de crescimento da parede do casco, podendo comprometer a funcionalidade do animal em definitivo.

  1. INTRODUÇÃO

    1.1 - Casco
    Desde os mais remotos tempos, os mais conceituados “hipiatras” já consideravam que “sem pés não há cavalos” o que a rigor constitui-se no mais forte aforismo que define a gravidade das afecções que podem acometer o aparelho locomotor dos cavalos.
    O casco ou úngula é a cobertura córnea da extremidade distal do único dedo que restou ao cavalo – obra da seleção natural. A parede é definida como a parte do casco que é visível quando o pé está posicionado no chão. Ela cobre a frente e os lados da extremidade do membro, e se reflete em direção palmar ou plantar, em ângulo agudo, de modo a formar as barras. A parede pode ser dividida em uma parte dorsal ou ponta (onde é mais espessa), partes colateral medial e lateral ou quartos, e os ângulos ou calcanhares. A curva da parede é mais larga no lado lateral do que no medial, e a inclinação do quarto medial é mais profunda do que no quarto lateral (Sisson,1986).
    Dividida em três partes, a parede do casco, apresenta na sua face mais externa o perioplo composto de cornos tubulares e estrato tectório. Na camada média tem-se a região mais densa do casco e a presença dos túbulos córneos (cascos escuros, ele é pigmentado); e por fim, a camada laminar interna que consiste nas lamelas córneas.

    1.2
    A laminite ocorre esporadicamente, entretanto, sob certas condições pode acometer vários animais, de uma mesma propriedade, submetidos às mesmas condições de instalação e manejo. Pode acometer com mais freqüência os dois membros torácicos (mãos) e, até, os quatro membros nos casos mais graves, demonstrando manifestações clínicas características.
    Dentre os eqüídeos, os pôneis são muitos susceptíveis, com incidência até quatro vezes maior do que nos demais. Cavalos castrados são menos predispostos a desenvolver laminite, ao passo que muitos animais na faixa etária de 4 a 10 anos estatisticamente apresentam maiores índices de laminite; assim como cavalos que são transportados e permanecem por vários dias em decúbito quadrupedal (em pé), sem alimentação e ingestão de água inadequada, ou submetidos a exercícios aos quais não estão acostumados ou mal preparados e ainda os alimentados sem critério, são sérios candidatos a desenvolver a forma aguda da laminite.

  2. LAMINITE

  3. TRATAMENTO HOMEOPÁTICO

    O remédio homeopático não cura nada para ninguém. Ele dá sim condições ao doente para que ele mesmo se cure, estimulando o organismo a reagir a aquilo que lhe agride. Portanto, é importante procurar ajuda do profissional habilitado antes que o doente – neste caso o animal – esteja muito debilitado e já sem condições de responder ao estímulo que o remédio homeopático induz. Daí só mesmo tratamento alopático e seus efeitos colaterais – ataque a mucosa gástrica; aumento da dificuldade circulatória nas terminações, etc.
    Há alguns medicamentos homeopáticos que tem tropismo por determinados aparelhos e/ou regiões. A experiência tem mostrado que nas laminites, é prudente usar além do remédio constitucional (de fundo), outros que atuam com mais vigor nos vasos periféricos (veias, artérias e linfáticos), estimulando ou inibindo a circulação, conforme o caso, afim de restabelecer os tecidos afetados.
    Deve-se ressaltar ainda que além da medicação homeopática ser de custo reduzido quando comparada a medicação convencional, é de fácil aplicação, pois como é medicação energética, o contato do remédio com qualquer mucosa (oral, ocular, vaginal, nasal) é suficiente para desencadear os efeitos desejados.
    Em nossa experiência, o tratamento homeopático tem sido bastante satisfatório tanto em laminites agudas como em crônicas, reduzindo as complicações e trazendo rápida recuperação ao animal.